Manifesto aos sentimentos das pessoas da UFRRJ
Roberto José Moreira
URRRJ, 11 de julho de 2008
Às pessoas dos estudantes, técnico-administrativos e professores, homens e mulheres brasileiros(a)s que votarão nas próximas eleições diretas para a escolha do reitor(a) e vice da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
Dirijo-me a vocês como um eleitor preocupado com o vir a ser de nossa Universidade. Esta minha manifestação visa apenas a auxiliar o pensamento reflexivo sobre o poder de seu voto. Divulguem-na e discuta com as pessoas de suas relações mais próximas, obviamente se julgarem que este manifesto é relevante.
Não tenho a pretensão de atacar ou defender ninguém. Se alguém assim o sentir, peço desculpas antecipadamente.
Esta minha ousadia só é possível por que estamos na Universidade e somos parcialmente responsáveis por ela. A liberdade de pensamento é um dos fundamentos necessários à prática do ensino, da pesquisa e da extensão universitária.
Nesta conjuntura eleitoral de 2008 eu havia decidido não me envolver diretamente em nenhuma articulação de candidaturas para a Reitoria. Após um convite insistente do atual Reitor entrei na articulação de sua reeleição. Após uma participação inicial, explicitada em outros documento já divulgados e posteriormente postados neste blog, decidi afastar-me daquela articulação. Este afastamento motivou um Manifesto público, dirigido aos professores Manlio, Berbara e Raimundo, no qual postulava a necessidade de articular uma nova Chapa, mesmo que fosse para perder. Neste momento é que decidi criar este blog, como veículo para a criação de um Movimento de mais longo prazo. É neste momento que escrevo este texto dirigido à comunidade das pessoas da Rural.
Entendo que a Universidade Rural é um bem comum brasileiro.
Não é um bem só nosso, dos profissionais e estudantes que escolhemos nossos dirigentes desde 1988. Completamos 20 anos de eleições diretas.
Não podemos mais atribuir os problemas da Universidade como sendo determinados por forças e agentes externos. A escolha de nosso caminho tem sido nossa, mesmo que esta escolha seja condicionada pelo ambiente social e político que nos envolve, como seres humanos brasileira(o)s e do planeta Terra.
Aqueles que pensam poder gerir este bem comum segundo os interesses de suas amizades, de suas lealdades pessoais, políticas partidárias ou sindicais, penso eu, são prejudiciais aos objetivos de nossa instituição por constrangerem a liberdade, a autonomia do pensamento e a própria prática cotidiana profissional de professora(e)s, técnico-administrativa(o)s e estudantes. Cada um de nós vive ou já viveu em algum momento esta sensação de constrangimento, de sentir em nosso cotidiano que não é o interesse do bem comum que prevalece nas decisões e ações dos dirigentes e de nossos colegas e alunos. Não?
A Universidade tem a missão de realizar pesquisas capazes de contribuir a uma melhor compreensão do diálogo do ser humano com a natureza e do próprio diálogo entre os seres humanos em busca do bem comum das relações humanas. Como ator responsável por essa missão cumpre-nos compreender que o saber científico não carrega a verdade absoluta. A verdade científica é um conhecimento sujeito à demonstração. Uma verdade que é referendada por outros cientistas.
Homens e mulheres cientistas são pessoas, lembrem-se disto.
A verdade científica é sempre relativa às condições teórico-práticas dentro das quais a demonstração é válida. Fora destas condições amplia-se o campo da incerteza. Alguns cientistas e filósofos afirmam que a ciência hoje precisa ser vista como a ciência da incerteza e não como a ciência da certeza.
Nós os cientistas da Rural temos que tomar consciência disto e sermos mais humildes com a arrogância de nosso poder. Principalmente, quando esse poder passa a se transformar em um poder da técnico-burocracia universitária, seja ela gerida para atender grupos de amigos, grupos sindicais ou grupo partidários, ou mesmo grupo de cientistas e interesse pessoais.
A boa ciência é a ciência da dúvida. É a dúvida que faz renascer sempre a investigação e a pesquisa.
A outra grande missão da Universidade é formar profissionais e cientistas competentes e críticos. Críticos da ciência, das tecnologias e das desigualdades sociais, mas que tenham autonomia e liberdade de pensamento e ação. Profissionais e cientistas que sejam capazes de lutar por esses valores.
Erra quem pensa que a Universidade forma cidadãos.
A cidadania é uma construção da sociedade abrangente, uma luta sempre permanente e renovada. Neste assunto o papel da Universidade é o de construir o hábito de um pensamento autônomo e crítico com a nossa juventude universitária.
O(a) jovem estudante, a pessoa do(a) estudante, é muito mais do que a do(a) aluno(a) em sala de aula. O ensino e a aprendizagem que o(a) estudante recebe não é gratuita, pelo menos no sentido em que muitos pensam.
Brasileiros(as) que nem conhecemos pessoalmente pagam para que nós professore(a)s e técnico-administrativo(a)s formemos profissionais e cientistas. O(a)s estudantes tem, assim, a obrigação política e moral de estudarem e empreenderem todos os seus esforços para serem bem sucedidos no curto espaço de tempo de sua formação profissional.
Apesar da maioria entender que é somente o interesse pessoal e privado do(a) estudante que está em jogo, é a sociedade (mesmo com os seus estratos mais pobres) que paga com impostos e taxas para que o(a) jovem estude.
Como ser um bom estudante sem o hábito e prática de leitura e escrita? Como ser um bom estudante com a prática do “corte e cola” dos textos computadorizados? Como ser um bom aluno sem a presença ativa nos bancos escolares?
Estamos, de fato, após 20 anos de eleições diretas cumprindo satisfatoriamente essas duas missões fundamentais da Universidade?
Não se enganem, a extensão universitária efetiva e consistente é resultado do bom cumprimento dessas duas missões fundamentais e não o inverso como muitos pensam e advogam e praticam.
Vejo os momentos de realização de eleições diretas, nos Institutos e na Universidade como ricos para avaliarmos nosso ambiente de trabalho e as perspectivas de futuro. São momentos de uma avaliação reflexiva de nossas práticas na pesquisa, no ensino e na extensão universitária. Avaliações com ênfases distintas geram diferentes perspectivas de futuro da Universidade. È neste sentido que muitos argumentam que a unanimidade é burra. Que uma chapa única não possibilita o contraditório, a controvérsia e a dialética da democracia.
Quando as distintas avaliações ganham força de representação de um projeto de mudança, são consolidadas ricas disputas eleitorais onde as possibilidades de futuro da Universidade ou dos Institutos, colocadas pelas distintas candidaturas, seriam objetos de reflexão da comunidade universitária. Nós, todos os eleitores temos a obrigação não só de votar, mas de construir, respeitar e cultivar a diversidade de pensamento. Esta seria a meta sempre renovada de uma democracia universitária democratizante. Nunca estar satisfeito com o nível da democracia já alcançado, sempre lutar por mais democracia, por maior qualidade da democracia: uma democracia democratizante, uma democracia radical. Essa idéia de democracia democratizante pode ser aplicada à sociedade brasileira e ao nosso campo de trabalho e de formação profissional.
É isso que, a meu ver, unifica o cotidiano das ações técnico-administrativas, das ações do ensino, pesquisa e extensão.
No dia a dia, todos nós distinguimos aqueles que julgamos ser um bom técnico, um bom professor, um bom estudante, um bom pesquisador. Se isto é verdade, cumpre-nos potencializar estas forças nos processos eleitorais.
As distintas avaliações sobre quais seriam os problemas fundamentais e os problemas cotidianos da Universidade só enriquecem nossa capacidade de decidir. Diagnosticar, debater e apontar caminhos melhores é uma das funções das diferentes candidaturas.
Não vejo estes processos centrados nas pessoas e nos carismas das lideranças.
Na Universidade a liderança deve estimular o pensamento crítico e possibilitar a liberdade de escolha.
Toda avaliação, regra geral, refere-se com maior ou menor ênfase: às condições institucionais internas das estruturas universitárias (departamentos, institutos, conselhos e suas representações, órgão administrativos e de poderes, currículos acadêmicos, biblioteca e laboratórios, equipamentos escolares, etc.); e, à qualidade daquilo que fazemos no campo da pesquisa e geração de tecnologias, no ensino e na extensão universitárias nos campos das ciências humanas, das ciências naturais, dos pensamentos filosóficos e matemáticos.
Estamos de fato contribuindo com o objetivo de elucidar os processos da vida humana na Terra, bem como na formação de profissionais e cientistas naquele sentido que acima identifiquei?
As avaliações também, em maior ou menor grau, referem-se às condições conjunturais externas à Universidade, no sentido de identificar potencialidades e dificuldades no interior da complexa rede de relações econômicas, culturais, sociais, científicas e tecnológicas da sociedade abrangente.
O ambiente de debate das campanhas eleitorais tende a consolidar uma avaliação e a criar sinergias (vontade social) de mudanças na Universidade, legitimadas pelo voto, pelo seu voto.
Em que sentido podemos dizer que as candidaturas priorizam em seus programas a construção de uma nova sociabilidade na cultura universitária e na gestão administrativa. Almejam, de fato, construir, liderar e gerir processos democratizantes capazes de:
a. realizar a crítica da ciência, da técnica e da sociedade?
b. formar de profissionais e cientistas flexíveis, críticos e responsáveis, críticos da ciência e da sociedade?
c. entender que a “máquina administrativa” deve estar a serviço do bom ensino, da boa pesquisa e da extensão?
d. contribuir na construção de uma universidade pública socialmente engajada na construção da cidadania, da ampliação dos espaços democráticos de acesso à universidade e de uma sociedade brasileira socialmente justa?.
Entendo ainda que cumpre-nos reconhecer as responsabilidades diferenciadas do corpo docente, técnico-administrativo e do corpo discente no uso de recursos públicos e na realização da função social da Universidade, no ensino, na pesquisa e na extensão.
A meu ver:
a) O corpo docente tem a maior responsabilidade pelo presente e futuro da Universidade por ser responsável pela direção, qualidade e eficiência do ensino, da pesquisa e da extensão. E, também, por construir e transmitir valores éticos e comportamentais próprios da ciência crítica e da cultura democrática. (Obviamente, descartando e lutando contra outros valores, éticas e comportamentos, mesmo entre os docentes).
b) Os servidores técnico-administrativos são fundamentais por responderem pela eficiência, qualidade e rapidez das instâncias técnico-burocrática, órgãos administrativos, atividades de campo e de laboratórios, alimentação, moradia e segurança. Atividades que dão suporte ao ensino, a pesquisa e à extensão. E, também, por construírem a ética e os valores comportamentais no trato da coisa pública. (Obviamente, descartando e lutando contra outros valores, éticas e comportamentos, mesmo entre os técnico-adminstrativos).
c) Os estudantes, frutos dos esforços dos docentes e servidores, de seus pais, das escolas por que já passaram e da sociedade em geral, são os sujeitos participantes responsáveis pelo futuro da sociedade. São os portadores dos anseios e das responsabilidades futuras na profissão e na ciência, bem como, são portadores dos valores éticos, morais e comportamentais que receberem e construírem na Universidade. E, também, serão os portadores do sentido social e dos conteúdos da profissão que receberem em sua passagem pela Universidade.
Não basta aqui ser apenas um bom profissional técnico. O perfil da maioria das profissões que ensinamos na Rural cuida apenas deste aspecto da vida do futuro profissional. Essa é uma crítica de fundo que faço à nossa Universidade, desde minha candidatura a reitor em 1984.
As tarefas das pessoas e profissionais que somos na Universidade são diversas, mas o sentido da ação pode ser comum.
Os processos eleitorais visam, a meu ver, construir um sentido comum da ação.
Se essas minhas convicções são também as suas, cumpre-nos cobrar como eleitores que as candidaturas esclareçam quais são as suas avaliações, suas propostas e sua capacidade de realizá-las.
Entendo que a sociabilidade universitária envolve as relações cotidianas de docentes, técnicos –administrativos e estudantes e destes com os poderes da administração superior, do mundo social e do mundo da ciência. É este fazer cotidiano das pessoas que constroem hábitos e comportamentos de profissionais e comportamentos: os perfis de nossos alunos, e de nós mesmos docentes e técnico-administrativos.
Nosso cotidiano mostra-nos que convivemos com alunos, docentes e técnico-administrativos que consideramos segundo os nossos juízos bons, ruins, fortes, fracos, etc. Este é no nosso dado da realidade.
Todos nós temos uma avaliação crítica de nossas atividades cotidianas e das pessoas com as quais lidamos no dia a dia. Temos, sim, capacidade de julgamento. Essa capacidade de julgamento e avaliação será melhor, quanto melhor e mais elevado for o clima e a profundidade dos debates eleitorais.
A construção de hábitos e comportamentos universitários de docentes, servidores técnico-administrativos e estudantes, ou seja, a natureza da sociabilidade universitária, só pode ser construída por nós mesmos: os sujeitos efetivos que damos vida aos nossos fazeres cotidianos. Por isto, a ousadia deste manifesto aos sentimentos das pessoas da Rural.
Se nós sentimos que nosso ambiente de trabalho e de estudo está ruim é porque nossa interação universitária em sala de aula, na coordenação de atividades, das direções e comportamentos em nossas atividades cotidianas está ruim. O estudante ao estudar, o técnico-administrativo ao realizar suas atividades, os docentes ao ensinar e pesquisar e os dirigentes ao liderar e gerir dos processos podem com certeza identificar como eram suas condições de ação. O que mudou e o que seria necessário fazer.
O que vão nos dizer sobre isto as futuras candidaturas.
Jogar a culpa em gentes e entidades de fora de nosso espaço acadêmico – e não fazer nada para mudar este estado das coisas de nossas realidades cotidianas – é também responsabilidade nossa. Não responder positivamente aos estímulos oriundos de gentes e entidades externas – é também responsabilidade nossa. É responsabilidade de todos, segundo a divisão de trabalho: do docente, de ensinar e pesquisar, do técnico-administrativo, de garantir as práticas dessas ações, dos estudantes, de atuar criticamente nos processos educativos, apropriando-se e potencializando a prática educacional e respondendo ao aprendizado ativo, e, de todos, em especial da administração superior, de direcionar e promover a avaliação desses processos democraticamente.
Tal comprometimento requer envolvimento, participação e responsabilidades de todos em direção do bem social comum, portanto devem ser explicitados e discutidos na Campanha. O voto assim não seria apenas um compromisso da Administração com a Comunidade, mas um compromisso de um agir comum, pelo presente e pelo futuro.
Se esta forma de pensar faz sentido a você examine com atenção como cada candidatura estabelecerá suas diretrizes das ações, políticas e práticas acadêmicas da próxima gestão, naquilo que se refere às:
a) Diretrizes das ações, políticas e práticas acadêmicas propostas pelas candidaturas
b) Ações, políticas e práticas acadêmicas para a próxima gestão, principalmente naquilo que se refere à reforma das instituições universitárias, do Estatuto e do Regimento visando à democratização universitária, a democratização dos conselhos e dos Institutos Universitários e ao fortalecimento do ensino de graduação, com reformas dos currículos que visando garantir na grade curricular de cada curso maior espaço para o ensino e o estudo da sociedade, da cultura brasileira, da ciência e sua lógica.
Espero que compreendam esta minha ousadia.
Caros estudantes e servidores (docentes e técnicos) o blog Democracia Universitária Democratizante está capacitado, creio eu, a receber e divulgar suas opiniões e comentários e sugestões, sendo assim um facilitador na construção da consciência crítica de nossa comunidade.
Sinta-se estimulado a participar.
26/09/2008 Progressão Funcional. Qual Universidade queremos?
26/09/2008
Título:Progressão Funcional.Qual Universidade queremos?
Roberto José Moreira
A direção superior da UFRRJ tem pautada para discussão de uma proposta de Progressão Funcional, divulgada neste mês de setembro de 2008, que, após debate e aprovação nas instâncias legais da Instituição, passará bianualmente a ser aplicada às avaliações de cada docente que pleitear a progressão funcional.
Levanto aqui algumas questões preliminares sobre a Proposta colocada em discussão.
Parto do princípio de que os quesitos identificados como de ensino, de pesquisa, de extensão universitária e de atividades administrativas e de representação, as ponderações quantitativas e qualitativas a eles atribuidas e as exigências mínimas associadas estes quesitos indicam o que a direção superior, que encaminha a proposta, espera do trabalho de seus docentes, indicando indiretamente o que seria valorizado para o dia a dia e o futuro da Universidade.
Estamos de acordo com esta proposta?
Clique Set 26, abaixo, para acessar o texto completo
Título:Progressão Funcional.Qual Universidade queremos?
Roberto José Moreira
A direção superior da UFRRJ tem pautada para discussão de uma proposta de Progressão Funcional, divulgada neste mês de setembro de 2008, que, após debate e aprovação nas instâncias legais da Instituição, passará bianualmente a ser aplicada às avaliações de cada docente que pleitear a progressão funcional.
Levanto aqui algumas questões preliminares sobre a Proposta colocada em discussão.
Parto do princípio de que os quesitos identificados como de ensino, de pesquisa, de extensão universitária e de atividades administrativas e de representação, as ponderações quantitativas e qualitativas a eles atribuidas e as exigências mínimas associadas estes quesitos indicam o que a direção superior, que encaminha a proposta, espera do trabalho de seus docentes, indicando indiretamente o que seria valorizado para o dia a dia e o futuro da Universidade.
Estamos de acordo com esta proposta?
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04/08/2008 Avaliação acadêmica: uma nova postura?
04/08/2008
Avaliação acadêmica: uma nova postura?
Roberto José Moreira
Ao entrar no Quiosque professor para lançar a avaliação final da disciplina de graduação que ministrei no primeiro semestre de 2008 tive uma grata surpresa ao clicar no "avaliação acadêmica" e ao ter acesso ao pequeno texto da Profa. Nídia introduzindo uma postura desta gestão, naquilo que se refere à avaliação da graduação.
Como ex-presidente e redator da Comissão que gerou a Projeto de Avaliação Institucional de 1995 (UFRRJ, vol. I - Avaliação do ensino de graduação, aprovado e implementado na gestão do Prof. Mânlio) e como principal sensibilizador para a adoção do processo avaliativo em 1995, quero parabenizar a atual decana de graduação por reintroduzir - embora tardiamente, a meu ver - a política de avaliação acadêmica naquilo que se refere à graduação.
Digo tardiamente, por entender que esta adoção tardia é uma resposta à critica que realizei, em junho deste ano, quando ainda participava da articulação da re-candidatura do atual reitor a um novo mandato, já tratada em textos anteriormente divulgados.
Clique Ago 04, abaixo, para acessar o texto completo
Avaliação acadêmica: uma nova postura?
Roberto José Moreira
Ao entrar no Quiosque professor para lançar a avaliação final da disciplina de graduação que ministrei no primeiro semestre de 2008 tive uma grata surpresa ao clicar no "avaliação acadêmica" e ao ter acesso ao pequeno texto da Profa. Nídia introduzindo uma postura desta gestão, naquilo que se refere à avaliação da graduação.
Como ex-presidente e redator da Comissão que gerou a Projeto de Avaliação Institucional de 1995 (UFRRJ, vol. I - Avaliação do ensino de graduação, aprovado e implementado na gestão do Prof. Mânlio) e como principal sensibilizador para a adoção do processo avaliativo em 1995, quero parabenizar a atual decana de graduação por reintroduzir - embora tardiamente, a meu ver - a política de avaliação acadêmica naquilo que se refere à graduação.
Digo tardiamente, por entender que esta adoção tardia é uma resposta à critica que realizei, em junho deste ano, quando ainda participava da articulação da re-candidatura do atual reitor a um novo mandato, já tratada em textos anteriormente divulgados.
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17/07/2008 Carta Pública ao Colega Roberto Moreira
17/07/2008
Carta Pública ao Colega Roberto Moreira
(assinada pelos Profs. Mânlio, Raimundo e Berbara)
Entendemos sua posição de iniciar movimento eleitoral nesta hora justamente aberta a todos os professores, estudantes e técnico-administrativos, visando aprofundar a discussão dos temas de interesse da nossa Universidade. Sensibiliza-nos seu desprendimento quando se posiciona proclamando, sem deixar margem a dúvidas, querer ir além de pontos de vista particulares ou de grupo.
Na articulação em que nos situamos – uma articulação da qual participam, dentre outras, alas do antigo grupo de 2004, diretores de Instituto, correntes que quatro anos atrás convergiam em torno da profa. Regina Araújo, docentes novos na Rural –; nós incentivamos a todos aqueles – e são muitos – que também com desprendimento têm um posicionamento similar ao seu. Temos confiança de que nosso candidato Ricardo Miranda, por suas posturas, no transcurso do Reitorado e agora em nossas reuniões, vê com simpatia e interesse este aprofundamento discursivo, pois dele sairão boas diretrizes para orientar a equipe que se encontrará, após as eleições, à frente da UFRRJ.
Clique Jul 17, abaixo, para acessar texto completo
Carta Pública ao Colega Roberto Moreira
(assinada pelos Profs. Mânlio, Raimundo e Berbara)
Entendemos sua posição de iniciar movimento eleitoral nesta hora justamente aberta a todos os professores, estudantes e técnico-administrativos, visando aprofundar a discussão dos temas de interesse da nossa Universidade. Sensibiliza-nos seu desprendimento quando se posiciona proclamando, sem deixar margem a dúvidas, querer ir além de pontos de vista particulares ou de grupo.
Na articulação em que nos situamos – uma articulação da qual participam, dentre outras, alas do antigo grupo de 2004, diretores de Instituto, correntes que quatro anos atrás convergiam em torno da profa. Regina Araújo, docentes novos na Rural –; nós incentivamos a todos aqueles – e são muitos – que também com desprendimento têm um posicionamento similar ao seu. Temos confiança de que nosso candidato Ricardo Miranda, por suas posturas, no transcurso do Reitorado e agora em nossas reuniões, vê com simpatia e interesse este aprofundamento discursivo, pois dele sairão boas diretrizes para orientar a equipe que se encontrará, após as eleições, à frente da UFRRJ.
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11/07/2008 Manifesto aos sentimentos das pessoas da UFRRJRoberto
Manifesto aos sentimentos das pessoas da UFRRJ
Roberto José MoreiraURRRJ, 11 de julho de 2008
Às pessoas dos estudantes, técnico-administrativos e professores, homens e mulheres brasileiros(a)s que votarão nas próximas eleições diretas para a escolha do reitor(a) e vice da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
Dirijo-me a vocês como um eleitor preocupado com o vir a ser de nossa Universidade. Esta minha manifestação visa apenas a auxiliar o pensamento reflexivo sobre o poder de seu voto. Divulguem-na e discuta com as pessoas de suas relações mais próximas, obviamente se julgarem que este manifesto é relevante. Não tenho a pretensão de atacar ou defender ninguém. Se alguém assim o sentir, peço desculpas antecipadamente.
Esta minha ousadia só é possível por que estamos na Universidade e somos parcialmente responsáveis por ela. A liberdade de pensamento é um dos fundamentos necessários à prática do ensino, da pesquisa e da extensão universitária. Nesta conjuntura eleitoral de 2008 eu havia decidido não me envolver diretamente em nenhuma articulação de candidaturas para a Reitoria. Após um convite insistente do atual Reitor entrei na articulação de sua reeleição. Após uma participação inicial, explicitada em outros documento já divulgados e posteriormente postados neste blog, decidi afastar-me daquela articulação.
Este afastamento motivou um Manifesto público, dirigido aos professores Manlio, Berbara e Raimundo, no qual postulava a necessidade de articular uma nova Chapa, mesmo que fosse para perder. Neste momento é que decidi criar este blog, como veículo para a criação de um Movimento de mais longo prazo.
É neste momento que escrevo este texto dirigido à comunidade das pessoas da Rural.
Clique Jul 11, abaixo, para acessar texto completo
Roberto José MoreiraURRRJ, 11 de julho de 2008
Às pessoas dos estudantes, técnico-administrativos e professores, homens e mulheres brasileiros(a)s que votarão nas próximas eleições diretas para a escolha do reitor(a) e vice da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
Dirijo-me a vocês como um eleitor preocupado com o vir a ser de nossa Universidade. Esta minha manifestação visa apenas a auxiliar o pensamento reflexivo sobre o poder de seu voto. Divulguem-na e discuta com as pessoas de suas relações mais próximas, obviamente se julgarem que este manifesto é relevante. Não tenho a pretensão de atacar ou defender ninguém. Se alguém assim o sentir, peço desculpas antecipadamente.
Esta minha ousadia só é possível por que estamos na Universidade e somos parcialmente responsáveis por ela. A liberdade de pensamento é um dos fundamentos necessários à prática do ensino, da pesquisa e da extensão universitária. Nesta conjuntura eleitoral de 2008 eu havia decidido não me envolver diretamente em nenhuma articulação de candidaturas para a Reitoria. Após um convite insistente do atual Reitor entrei na articulação de sua reeleição. Após uma participação inicial, explicitada em outros documento já divulgados e posteriormente postados neste blog, decidi afastar-me daquela articulação.
Este afastamento motivou um Manifesto público, dirigido aos professores Manlio, Berbara e Raimundo, no qual postulava a necessidade de articular uma nova Chapa, mesmo que fosse para perder. Neste momento é que decidi criar este blog, como veículo para a criação de um Movimento de mais longo prazo.
É neste momento que escrevo este texto dirigido à comunidade das pessoas da Rural.
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06/07/2008 Manifesto por uma Reforma Universitária Democratizante
06/07/2008
Manifesto por uma Reforma Universitária Democratizante
Roberto José MoreiraUFRRJ, 28/06/2008. Revisto em 06/07/08
Correspondência aos Amigos Raimundo, Berbara e Mânlio
Dou força à batalha de vocês três, os "mosqueteiros" da última reunião da Articulação pró-candidatura do Ricardo Miranda. Como vocês sabem estou fazendo consultas sobre a criação de um Movimento por uma Reforma Universitária Democratizante, que ainda poderia gerar uma Chapa Reforma Universitária Democratizante, alternativa à gerência da mesma universidade, em particular desta universidade que nos restou após a frustração da estatuinte convocada pelo Mânlio.
O Movimento visaria criar a base de uma nova universidade Rural. O Raimundo desestimula-me a formar uma Chapa e Mânlio e Berbara são cépticos, e sem ânimo para tal aventura quixotesca. Este texto visa principalmente esclarecer a vocês três as motivações e análises que me estimulam a não ficar calado. Minha análise é a de que essa Chapa alternativa perde. Mas, para tornar a inscrição viável pelas regras eleitorais vigentes necessitaria de no mínimo oito nomes coesos os objetivos que procuro esclarecer a vocês. O que não vejo tão difícil assim. ESTRATEGICAMENTE estou utilizando esta fala dirigida a vocês três para falar a toda a Universidade, em uma espécie de carta aberta.
A Chapa perde, mas o Movimento sairá vitorioso na medida em que deixará visível que parte significativa da universidade (10%, 20%, 30%,ou 40%) ainda aspira uma reforma democratizante no Estatuto e no Regimento Geral, regulando assim novos comportamentos acadêmicos.
Vitorioso na medida em que recoloque antigas questões docentes amortecidas pelo tempo e pelo poder, inclusive destes três anos da gestão atual, que pretende apenas adequar os "documentos legais à legislação", em uma abordagem jurídica e legalista.
Minhas "tensões" no interior da cultura universitária ruralina há 27 anos têm sido nesta direção, mas não tenho encontrado o caminho para apresentá-las à discussão na trajetória de minha inserção na política universitária desde a chapa Primavera, de 1984, quando surpreendentemente entrei na primeira lista das eleições diretas da Rural.
Mesmo meu "afastamento" recente da Articulação a favor da reeleição do Ricardo foi um movimento consciente neste tensionamento. Não vejo mais, no ambiente dessa Articulação que vocês ainda participam, espaço para essas discussões.
Clique Jul o6, abaixo, para acessar o texto completo
Manifesto por uma Reforma Universitária Democratizante
Roberto José MoreiraUFRRJ, 28/06/2008. Revisto em 06/07/08
Correspondência aos Amigos Raimundo, Berbara e Mânlio
Dou força à batalha de vocês três, os "mosqueteiros" da última reunião da Articulação pró-candidatura do Ricardo Miranda. Como vocês sabem estou fazendo consultas sobre a criação de um Movimento por uma Reforma Universitária Democratizante, que ainda poderia gerar uma Chapa Reforma Universitária Democratizante, alternativa à gerência da mesma universidade, em particular desta universidade que nos restou após a frustração da estatuinte convocada pelo Mânlio.
O Movimento visaria criar a base de uma nova universidade Rural. O Raimundo desestimula-me a formar uma Chapa e Mânlio e Berbara são cépticos, e sem ânimo para tal aventura quixotesca. Este texto visa principalmente esclarecer a vocês três as motivações e análises que me estimulam a não ficar calado. Minha análise é a de que essa Chapa alternativa perde. Mas, para tornar a inscrição viável pelas regras eleitorais vigentes necessitaria de no mínimo oito nomes coesos os objetivos que procuro esclarecer a vocês. O que não vejo tão difícil assim. ESTRATEGICAMENTE estou utilizando esta fala dirigida a vocês três para falar a toda a Universidade, em uma espécie de carta aberta.
A Chapa perde, mas o Movimento sairá vitorioso na medida em que deixará visível que parte significativa da universidade (10%, 20%, 30%,ou 40%) ainda aspira uma reforma democratizante no Estatuto e no Regimento Geral, regulando assim novos comportamentos acadêmicos.
Vitorioso na medida em que recoloque antigas questões docentes amortecidas pelo tempo e pelo poder, inclusive destes três anos da gestão atual, que pretende apenas adequar os "documentos legais à legislação", em uma abordagem jurídica e legalista.
Minhas "tensões" no interior da cultura universitária ruralina há 27 anos têm sido nesta direção, mas não tenho encontrado o caminho para apresentá-las à discussão na trajetória de minha inserção na política universitária desde a chapa Primavera, de 1984, quando surpreendentemente entrei na primeira lista das eleições diretas da Rural.
Mesmo meu "afastamento" recente da Articulação a favor da reeleição do Ricardo foi um movimento consciente neste tensionamento. Não vejo mais, no ambiente dessa Articulação que vocês ainda participam, espaço para essas discussões.
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05/07/2008 Documento para reflexão
05/07/2008
Documento para reflexão
Contribuição aos debates articulados à reeleição do Prof. Ricardo MirandaRio, 30 de maio 2008
Matrizes Conceituais
Por éticas e hábitos universitários sócio-cientificamente críticos e democráticos
Entendo que a Diretriz para o aprofundamento das diretrizes de ação da política acadêmica deveria ter como meta prioritária à construção de uma sociabilidade na cultura universitária e na gestão administrativa que objetivem construir, liderar e gerir processos democráticos capazes de:a. realizar a crítica da ciência, da técnica e da sociedade;b. de formar de profissionais e cientistas flexíveis, críticos e responsáveis, críticos da ciência e da sociedade;c. de entender que a “máquina administrativa” deve estar a serviço do bom ensino, da boa pesquisa e da extensão: ed. que contribuam na construção de uma Universidade pública socialmente engajada na construção da cidadania, da ampliação dos espaços democráticos de acesso à universidade e de uma sociedade brasileira socialmente justa.
Entendo ainda que nos movimentar nesta direção universitária cumpre-nos reconhecer as responsabilidades diferenciadas do corpo docente, técnico-administrativo e do corpo discente no uso de recursos públicos e da função social da Universidade, no ensino, na pesquisa e na extensão. A meu ver: a) O corpo docente tem a maior responsabilidade pelo presente e futuro da Universidade por ser responsável pela direção, qualidade e eficiência do ensino, pela pesquisa e pela extensão e por construir e transmitir valores éticos e comportamentais próprios da ciência crítica e da cultura democrática. (Obviamente, descartando e lutando contra outros valores, éticas e comportamentos, mesmo entre os docentes). b) Os servidores técnico-administrativos são fundamentais por responderem pela eficiência, qualidade e rapidez das instâncias técnico-burocrática e os órgãos administrativos que dão suporte ao ensino, a pesquisa e à extensão e por construírem a ética e os valores comportamentais no trato da coisa pública. . (Obviamente, descartando e lutando contra outros valores, éticas e comportamentos, mesmo entre os técnico-administrativos. c) Os estudantes, frutos dos esforços dos docentes e servidores, de seus pais, sas escolas por que já passaram e da sociedade em gera são os sujeitos participantes responsáveis pelo futuro da sociedade, por serem portadores de anseios e das responsabilidades futuras na profissão e na ciência, bem como portadores dos valores éticos e morais e comportamentais que receberem e construírem na Universidade, bem como portadores do sentido social e dos conteúdos da profissão que receberem em sua passagem pela Universidade.
A convicção acima apresentada compõe o PRESSUPOSTO minha contribuição. Como estamos em um campo de articulação política universitária penso relevante sabermos se estes pressupostos são aceitos. Se não, quais seriam os pressupostos que regeriam as nossas ações comuns?
Clique Jul o5, abaixo, para acessar o texto completo
Documento para reflexão
Contribuição aos debates articulados à reeleição do Prof. Ricardo MirandaRio, 30 de maio 2008
Matrizes Conceituais
Por éticas e hábitos universitários sócio-cientificamente críticos e democráticos
Entendo que a Diretriz para o aprofundamento das diretrizes de ação da política acadêmica deveria ter como meta prioritária à construção de uma sociabilidade na cultura universitária e na gestão administrativa que objetivem construir, liderar e gerir processos democráticos capazes de:a. realizar a crítica da ciência, da técnica e da sociedade;b. de formar de profissionais e cientistas flexíveis, críticos e responsáveis, críticos da ciência e da sociedade;c. de entender que a “máquina administrativa” deve estar a serviço do bom ensino, da boa pesquisa e da extensão: ed. que contribuam na construção de uma Universidade pública socialmente engajada na construção da cidadania, da ampliação dos espaços democráticos de acesso à universidade e de uma sociedade brasileira socialmente justa.
Entendo ainda que nos movimentar nesta direção universitária cumpre-nos reconhecer as responsabilidades diferenciadas do corpo docente, técnico-administrativo e do corpo discente no uso de recursos públicos e da função social da Universidade, no ensino, na pesquisa e na extensão. A meu ver: a) O corpo docente tem a maior responsabilidade pelo presente e futuro da Universidade por ser responsável pela direção, qualidade e eficiência do ensino, pela pesquisa e pela extensão e por construir e transmitir valores éticos e comportamentais próprios da ciência crítica e da cultura democrática. (Obviamente, descartando e lutando contra outros valores, éticas e comportamentos, mesmo entre os docentes). b) Os servidores técnico-administrativos são fundamentais por responderem pela eficiência, qualidade e rapidez das instâncias técnico-burocrática e os órgãos administrativos que dão suporte ao ensino, a pesquisa e à extensão e por construírem a ética e os valores comportamentais no trato da coisa pública. . (Obviamente, descartando e lutando contra outros valores, éticas e comportamentos, mesmo entre os técnico-administrativos. c) Os estudantes, frutos dos esforços dos docentes e servidores, de seus pais, sas escolas por que já passaram e da sociedade em gera são os sujeitos participantes responsáveis pelo futuro da sociedade, por serem portadores de anseios e das responsabilidades futuras na profissão e na ciência, bem como portadores dos valores éticos e morais e comportamentais que receberem e construírem na Universidade, bem como portadores do sentido social e dos conteúdos da profissão que receberem em sua passagem pela Universidade.
A convicção acima apresentada compõe o PRESSUPOSTO minha contribuição. Como estamos em um campo de articulação política universitária penso relevante sabermos se estes pressupostos são aceitos. Se não, quais seriam os pressupostos que regeriam as nossas ações comuns?
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Lênin e Gramsci, de Raimundo Santos
Prezados/as, tenho participado da articulação em favor da candidatura de Ricardo Miranda, no seio da qual defendo a formação de uma chapa rigorosamente plural, compondo todas as áreas que comparecem às reuniões, incluídos profs. que não estão alinhados com as tendências dessa mesma articulação e que possuidores de relevada competência acadêmica e de gestão universitária; e ainda tenho defendido a convergência da chapa R. Miranda com o movimento de ídéias do Roberto Moreira. Escrevi alguns textos divulgados na lista de e-mails da citada articulação. Em apoio àquela concepção de chapa pluralista recentemente escrevi e publiquei no Rural Semanal os três seguintes paragrafos que tomo a liberdade de lhes enviar.
Lênin e Gramsci
Lênin e Gramsci guiaram as esquerdas comunistas até os anos 1970, a marxista-leninista e, depois, a vertente que se reivindica apenas marxista. Eles as orientaram na busca de uma sociedade homogênea na qual a política e o Estado já não teriam serventia (neste estágio a "administração das pessoas" seria substituída pela "administração das coisas", cf. Engels). A ditadura do proletariado viria garantir a supremacia popular requerida para alcançarmos essas utopias igualitárias (cf. Marx e Engels, sobremaneira Lênin, no limiar do século XX).
Gramsci elabora suas teorias no contexto da crise de 1929, quando o poder burguês já não se sustenta exclusivamente no uso da força (no Estado, por ele renomeado como "sociedade política"). Ampliado, o Estado passa a contar com o consenso obtido por meio de um "conjunto de "aparelhos privados de hegemonia" (escolas, partidos etc.), a "sociedade civil". Nessa circunstância, a revolução não se reduz a um assalto direto ao Estado (Rússia, 1917). Ela assume forma de uma "guerra de trincheiras" ou "posições" no interior da "sociedade civil", não desconsiderada a captura da "casamata" mais forte: a "sociedade política". Para Gramsci, a revolução consiste num processo largo de renovamento "ético-político", "catarse" (sic). Todavia, assim pensada (consenso prévio, instituições), a revolução pressupunha hegemonia. No contexto já muito diversificado daquela época de "capitalismo organizado", o socialismo, no "Ocidente" (nas sociedades complexas; "Ocidente" não é conceito geográfico), requer supremacia de um bloco nacional-popular.
O núcleo dessa teoria gramsciana – a hegemonia – foi discutido intensamente desde que Bobbio fixou nosso paradoxo nos anos 1970: democracia no capitalismo; socialismo sem democracia. A esquerda vem se debatendo ante o desafio de renovar a sociedade por meio da política, sob o Estado Democrático de Direito. Habermas, a quem sigo, define-se pelo caminho da "identificação sem reservas com o Estado democrático de direito, sem o abandono de objetivos reformistas muito além do status quo". [Ver também versão expandida em Democracia Política e Novo Reformismo http://gilvanmelo.blogspot.com].
Lênin e Gramsci
Lênin e Gramsci guiaram as esquerdas comunistas até os anos 1970, a marxista-leninista e, depois, a vertente que se reivindica apenas marxista. Eles as orientaram na busca de uma sociedade homogênea na qual a política e o Estado já não teriam serventia (neste estágio a "administração das pessoas" seria substituída pela "administração das coisas", cf. Engels). A ditadura do proletariado viria garantir a supremacia popular requerida para alcançarmos essas utopias igualitárias (cf. Marx e Engels, sobremaneira Lênin, no limiar do século XX).
Gramsci elabora suas teorias no contexto da crise de 1929, quando o poder burguês já não se sustenta exclusivamente no uso da força (no Estado, por ele renomeado como "sociedade política"). Ampliado, o Estado passa a contar com o consenso obtido por meio de um "conjunto de "aparelhos privados de hegemonia" (escolas, partidos etc.), a "sociedade civil". Nessa circunstância, a revolução não se reduz a um assalto direto ao Estado (Rússia, 1917). Ela assume forma de uma "guerra de trincheiras" ou "posições" no interior da "sociedade civil", não desconsiderada a captura da "casamata" mais forte: a "sociedade política". Para Gramsci, a revolução consiste num processo largo de renovamento "ético-político", "catarse" (sic). Todavia, assim pensada (consenso prévio, instituições), a revolução pressupunha hegemonia. No contexto já muito diversificado daquela época de "capitalismo organizado", o socialismo, no "Ocidente" (nas sociedades complexas; "Ocidente" não é conceito geográfico), requer supremacia de um bloco nacional-popular.
O núcleo dessa teoria gramsciana – a hegemonia – foi discutido intensamente desde que Bobbio fixou nosso paradoxo nos anos 1970: democracia no capitalismo; socialismo sem democracia. A esquerda vem se debatendo ante o desafio de renovar a sociedade por meio da política, sob o Estado Democrático de Direito. Habermas, a quem sigo, define-se pelo caminho da "identificação sem reservas com o Estado democrático de direito, sem o abandono de objetivos reformistas muito além do status quo". [Ver também versão expandida em Democracia Política e Novo Reformismo http://gilvanmelo.blogspot.com].
Instantes
Lançamento de livros do Programa CPDA. Foto: RJ Moreira
Instantes
Artista: Roberto. Mostra Instantes, ICHS.
11 de jul. de 2008
Manifesto aos sentimentos das pessoas da UFRRJ
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